O fim dos cookies de terceiros e o impacto na pesquisa de mercado

A forma como as empresas coletam e utilizam dados está mudando rapidamente. Com o avanço da privacidade digital, o fim gradual dos cookies de terceiros e a aplicação de leis como a LGPD, a pesquisa de mercado também precisou evoluir.

Durante muitos anos, os cookies de terceiros foram uma das principais ferramentas para acompanhar o comportamento do consumidor online.

Cookies são pequenos arquivos armazenados no navegador que ajudam sites a lembrar informações sobre o usuário, como login, preferências e histórico de navegação. Já os cookies de terceiros são criados por empresas externas ao site acessado, geralmente plataformas de anúncios, redes sociais e ferramentas de rastreamento.

Isso permitia que empresas acompanhassem a navegação do usuário em diferentes sites, identificando interesses, hábitos de consumo e intenção de compra. É por isso que, muitas vezes, após pesquisar um produto, ele passa a aparecer em anúncios em vários outros lugares da internet.

Esse modelo foi amplamente utilizado para publicidade segmentada e inteligência de mercado, mas também gerou preocupações sobre privacidade e uso excessivo de dados pessoais.

Com isso, empresas como Google e Apple passaram a limitar esse tipo de rastreamento, enquanto legislações como a LGPD reforçaram a necessidade de consentimento, transparência e proteção de dados.

A LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados, é a legislação brasileira que estabelece regras para coleta, armazenamento e uso de dados pessoais. Seu objetivo é garantir mais segurança e controle para o consumidor sobre suas informações.

Nesse novo cenário, o first-party data se tornou ainda mais importante.

First-party data são os dados coletados diretamente pela própria empresa, com autorização do consumidor e relacionamento direto com ele. Isso inclui formulários, pesquisas, cadastros, interações em CRM, histórico de compra, comportamento em canais próprios e outros pontos de contato.

Em vez de depender de dados obtidos por terceiros, as empresas passam a construir sua própria inteligência de mercado com informações mais confiáveis, mais qualificadas e mais alinhadas ao seu público real.

Na pesquisa de mercado, isso representa uma mudança importante.

Não basta apenas coletar grandes volumes de dados. É necessário garantir qualidade metodológica, profundidade analítica e confiança nas informações que sustentam decisões estratégicas.

Dados próprios bem estruturados permitem segmentações mais precisas, melhor compreensão do comportamento do consumidor, redução de vieses e insights mais relevantes para expansão, posicionamento e inovação.

Em mercados complexos como o Brasil e a América Latina, esse cuidado se torna ainda mais importante. A leitura local, a interpretação cultural e a validação metodológica fazem a diferença entre um dado superficial e uma inteligência realmente estratégica.

O futuro da pesquisa de mercado não está em ter mais dados, mas em ter os dados certos.

E cada vez mais, esses dados começam dentro da própria relação entre empresa e consumidor.

Na About Brazil Market Research, acreditamos que qualidade de dados, inteligência local e metodologia consistente são essenciais para transformar informação em decisões mais seguras e resultados mais sustentáveis.

Fontes:
Google Privacy Sandbox
Apple App Tracking Transparency
Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – Governo Federal
McKinsey & Company – The value of first-party data
Deloitte Insights – The future of customer data strategy