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Home Office pós pandemia: o novo desafio das empresas

A pandemia obrigou o mercado de trabalho a adotar novos modelos para as empresas continuarem operando. Um desses modelos é o home office. Não é exatamente novo, pois esse movimento já existia e já era aplicado por várias organizações, todavia, ainda é um grande desafio para muitas organizações que resolveram aplicá-lo pela primeira vez nesse momento.

Segundo o Centro de Estudos de Teletrabalho e Alternativas de Trabalho Flexível – CETEL, em 2018 havia cerca de 10 milhões de brasileiros trabalhando via home office,  número bastante subestimado, pois várias empresas não formalizam esse modelo de trabalho. Para o período após pandemia, o Coordenador do MBA de marketing Digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Miceli, estima que essa modalidade possa crescer cerca de 30%, visto que muitas empresas que o adotaram perceberam os benefícios como maior produtividade e economia com transporte, além dos próprios funcionários  também terem visto o lado positivo do teletrabalho, como a convivência com a família, organização e flexibilização do horário e a comodidade.

Um estudo realizado com 705 profissionais pela Fundação Dom Cabral em parceria com a Grant Thornton, 54% dos entrevistados irão negociar com a gestão a possibilidade de continuar em home office. Os números alcançados mostram que há uma concordância entre funcionário e empresas sobre os resultados que este modelo pode trazer. Porém, a pesquisa também levanta os desafios da aplicação do teletrabalho sem um planejamento prévio, por exemplo, problemas de infraestrutura e tecnologia, no qual o funcionário não dispões em casa, assim como uma liderança ainda não preparada para lidar com essas mudanças, que representa cerca 2/3 das respostas dos entrevistados, além da segurança da informação, que preocupa cerca de 54% funcionários que participaram da pesquisa. 

Fica bem claro que aplicar um novo modelo de trabalho pode ter uma série de resultados positivos, tal qual desafios. No momento pós pandemia, cabe aos Gestores de Companhias analisar todos os alcançados com o home office e avaliar se faz sentido mantê-lo, e como fazê-lo de forma organizada. Como afirma Tawan Pimentel, gestor da Home Office Management, “Não é algo binário. Ou está na empresa, ou está em casa. A maior parte dos clientes que a gente atende implementa uma ou duas vezes por semana”. Portanto, é importante entender os funcionários e dar pequenos passos para que os resultados desse processo sejam benéficos a longo prazo, visando a qualidade de vida e produtividade, para todas as frentes envolvidas.

Felicidade no trabalho: um propulsor de resultados.

É possível alcançar a felicidade no trabalho? Muitos estudos mostram que sim! E é por conta disso que as organizações estão correndo atrás de entender como deixar seus colaboradores mais felizes. Certamente não é uma tarefa fácil, visto que se trata de um sentimento que se manifesta de diferentes maneiras em cada pessoa, assim como é muito subjetivo para que possa ser mensurado.

Um estudo realizado pela Warwick University do Reino Unido, mostrou que colaboradores felizes podem ser até 20% mais produtivos que os não satisfeitos, além disso a taxa de turnover da organização tende a ser menor. 

Para a psicologia positiva, a felicidade pode ser alcançada com base em 5 fatores:

  1. Emoção positiva;
  2. Engajamento;
  3. Sentido de vida;
  4. Realização positiva;
  5. Relacionamentos positivos.

Através desses pontos é possível criar relações e rotinas saudáveis que irão permear não só o aspecto profissional, mas também o pessoal, fazendo com que o funcionário consiga alcançar um estado mais pleno de felicidade e não apenas uma ideia momentânea de alegria. 

Somado a isso, a ideia de propósito também está diretamente ligada ao alcance desse sentimento. Trabalhar por algo em que acredita e alcançar resultados positivos e que fazem sentido para o colaborador, impactam diretamente na sensação de bem estar do funcionário. Porém é importante ter cuidado, pois a ideia de propósito pode tornar o colaborador extremamente dependente do trabalho. Uma pesquisa realizada pelo historiador e sociólogo Richard Sennett, mostrou que indivíduos que enxergam seu empregador como uma importante fonte de significado pessoal, são os que mais sofrem quando são demitidos, perdendo não apenas o emprego, mas também a promessa de felicidade.

Algumas dicas podem ajudar as empresas na busca de explorar essa fonte natural de resultados que é a felicidade, entre elas está o retorno por resultados alcançados, seja um reconhecimento financeiro ou pessoal. Dar autonomia e empoderamento na realização das atividades e para tomar decisões. Dispor de um ambiente de trabalho leve e com trabalho em equipe. Propor desafios para os funcionários, visto que isso dá a sensação de crescimento e aprendizado. E por fim, mas também muito importante, mostrar ao funcionário a importância do equilíbrio entre a carreira e a vida pessoal. 

O último ponto citado, precisa de uma atenção especial, pois segundo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho o número de afastamentos por motivos de esgotamento profissional, cresceu 114% em 2018 comparado ao ano anterior, número bastante preocupante. Para os pesquisadores Yerkes e Dodson, manter um certo nível de stress e pressão é benéfico para a produtividade, porém quando excesso, afeta diretamente os resultados e a felicidade do colaborador.

Portanto para que uma organização consiga ser bem sucedida em promover a felicidade do funcionário, é preciso ter senso crítico com a equipe, entender a realidade do cenário e, se necessário, agir com ações pensadas e planejadas a ponto de deixar claro que nem tudo é entretenimento e alegria, mas também não chegar ao ponto de gerar burn-out. Equilíbrio é o melhor remédio para o bem estar pessoal e resultado profissional.